Mostrar mensagens com a etiqueta RIP. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta RIP. Mostrar todas as mensagens

Paulo Cunha e Silva 1962 - 2015

PT
uma notícia triste para o Porto, a súbita morte de alguém que tanto fez pela cidade.
Paulo Cunha e Silva, vereador do pelouro da Cultura do Porto, faleceu ontem, em sua casa. 

"uma cidade líquida, resiliente e feliz" - eram palavras suas e o que pretendia para o Porto. cabe-nos a nós continuar a sua obra.

"onde estou feliz eu fico".

e uma das suas últimas entrevistas, aqui.
RIP 
até sempre.

EN
a sad news for Porto, the death of someone who did so much for the city and for its culture.
Paulo Cunha e Silva, head of Culture department at Porto's City Hall, died yesterday, at home.

"a liquid, resilient and happy city" - his own words and what he wanted Porto to be.
we need to go on his work.

"if I am happy at a place, I stay"

one of his last interviews here.
RIP.

a poem - (RIP Herberto Helder)





Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram.
Herberto Helder
RIP Herberto Helder - 1930 - 2015
one of my favourites portuguese poets.

resto é silêncio


ribeira, Porto


Volto, pois, a casa. Mas a casa,
a existência, não são coisas que li?
E o que encontrarei
se não o que deixo: palavras?

Eu, isto é, palavras falando,
e falando me perdendo
entre estando e sendo.
Alguma vez, quando

havia começo
e não inércia,
quando era cedo
e não parecia,

as minhas palavras puderam estar
onde sempre estiveram:
no apavorado lugar
onde sou silêncio.

Manuel António Pina - (1943 - 2012)

Júlio Resende


foto da net

um grande mestre do expressionismo, nascido no Porto em 1917.
[1917 - 2011]

até um dia, Diogo


Diogo Vasconcelos, 1968-2011

o Diogo foi meu colega de curso, tinha a minha idade, e provavelmente como eu tinha ainda todos os sonhos do mundo.
deixou-nos ontem, em Londres.
até um dia, Diogo. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...